domingo, 4 de novembro de 2012

Maturidade


É saber que o tempo não volta
Mas que você tem tempo para fazer diferente

É saber que os erros machucam
Mas que o perdão (principalmente consigo) é um ótimo começo na cura

É saber que as pessoas se afastam
Mas que continuam te amando

É saber que não se pode ter sempre o que se quer
Mas que você pode ir atrás e tentar conquistar

É saber que não tem idade para amadurecer
Mas é chegar aos 37 e saber que é possível!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Rafael

Menino dos olhos espertos, pés que dançam, boca que encanta
Abraço de sucuri, beijo melado, risada cantada

Tem o dom das histórias, dos sonhos, da magia
O mundo é pequeno para você, a lua é seu quintal

Não admite um não, ferroa mais que abelha
Mas é ela que também dá o doce mel

Tombos, ralados e machucados?
Zomba de cada um deles e simplesmente continua

Onde suas lágrimas caem, nasce vida
Onde sua alegria voa, nasce algodão doce

Sei que na vida serei sua assistente
Você sempre será a estrela, o mágico, a atração principal

E eu, a cada apresentação, aplaudirei
Em pé, pedindo bis!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tentativa e erro

Gosto de quem errou, muito. Acredito que quem mais errou tem menos chance de fazer de novo. Pura suposição. Desconfio das linhas retas. Odeio usar réguas e rédeas. Gosto da liberdade. Mas não pode ser regra, vira lei. Adoro o natural. Tenho muita alergia a químicos e máscaras. Até a da alma. Simplicidade. Uma tábua mais quatro pés, é uma mesa. Coloque pão e vinho, é ceia. Pessoas, é festa. Uma vela, é romance. Sigo as entrelinhas e pausas do compasso. Pego atalhos menos óbvios. Me perco. Muito. Sempre chego em segundo, quando chego. Coleciona mais medalhas de participação do que melhor colocação. Ainda acredito que rir é bom. Fazer os outros rirem é quase uma missão. Gosto do branco do som, do silêncio do papel. São os princípios da inspiração. Os meus melhores presentes tem forma de poesia. Os melhores presentes que recebi vieram em música. O sofrimento é meu amante. Vem quando pode, me agarra com força e vai pela porta me deixando completa e complexa. Confio que a vida se dá ao lado de poucos. Mas bons. Poucos e bons amigos. Muitas vezes na simplicidade daquela mesa. Nos afetos e afagos de uma cama. Nas mãos cheias de marcas que se encontram num cinema. Nos pés que se entrelaçam e dizem bom dia. Erro. Vive-se com ele. Segue-se, apesar dele. Na eterna tentativa e erro. Vida. Não busco equilíbrio. Uma linha muito simétrica. Busco meu jeito, minha logomarca, meu espelho. A morte me faz viver mais perto da vida. Sempre. Eu? Vou errando, vou amando, rindo, escrevendo, me perdendo, vivendo e morrendo. Não necessariamente nessa ordem.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

De graça, com graça!

Gosto de rituais. Marcas na pele, cicatrizes na alma que gritam significados.
Não gosto de celebrações banais. Simplesmente porque existem.

Mas ao longo da vida esses ritos mudam de endereço, de significado, somem e reaparecem. Vou aprendendo com eles, vou acariciando as marcar e recriando significados.

Adoro celebrar meu aniversário. Gosto de um ritual que faço todos os anos, perto do meu aniversário, que é relembrar as pessoas que foram importantes no último ano. E a cada ano, tem novos personagens, novos significados, novas marcas. E, sim, tem gente que se mantém, há anos.

O último ano foi marcado pela readaptação. Em 2011 voltei para São Paulo, para perto dos meus pais, faculdade nova, emprego novo, dia a dia sozinha com 3 crianças.
Houve muita briga interna, entre o querer e o dever, entre o meu lado adulto e o criança, entre o velho e o novo.

E com isso, novas marcas! Mas houve muita graça! Graça de rir mesmo. Muito! Graça, de receber sem mérito. Simplesmente por ser eu!

No meu aniversário de 2011, tive a grande alegria em fazer um jantar para as pessoas que passaram comigo um dos piores anos da minha vida. Alegria? Sim! Pessoas que não tiveram medo de enfrentar o incerto, as dores, a falta de cor. Deixaram marcas eternas.

Nesse ano não poderei fazer um jantar, mas escolhi homenagear as pessoas que me trouxeram alegria no último ano, que literalmente me deram ar para respirar. Amigos, colegas da vida ou simples conhecidos que me deram prazer em viver. Desde simples coisas até as mais complexas. Ou o contrário, porque prazer e alegria não se medem.

Amigos que deram coisas materiais: fui a shows, a lugares bacanas, curti coisas VIP, viagens, presentes inusitados.
Pessoas que deram afeto: carinho no choro, cafuné, tempo, bronca, abraço no silêncio, mãos dadas.
Reencontros que trouxeram lembranças: do que já fui, do que ainda sou e do que ainda posso sonhar ser.
Companheiros espirituais: que me ajudaram a me ver com os olhos do Pai, a ser verdadeira e perder o medo em ser eu mesma.

De graça, com graça!

Aqui fica o registro, a marca, meu reconhecimento por todos vocês.

E que comecem as celebrações por mais um ano em que tive o privilégio em ter relacionamentos que deixam marcas, que me tornam cada vez mais humana e verdadeira!

Com amor, gratidão e carinho

Cassia

domingo, 1 de abril de 2012

Só podia dar em sopa...

Sopa é aquele prato que é quente, mas você precisa esfriá-lo para comer. É aquela comida que sua mãe faz quando está sem dinheiro ou com preguiça. Ou ambos. Você tem que comer sopa porque está de regime, doente ou só assim come todos aqueles legumes que, separados, todos tem gosto de nabo. O dia da sopa, por mera coincidência, é o dia da limpeza da geladeira, e sua empregada precisa colocar todos os restos de comida em algum lugar. Adivinha onde?

Enfim, sou mãe e uso todos esses truques pra enfiar uma sopa goela abaixo da molecada, o que fiz na noite de ontem, que por sinal tinha mais uma fator: eu comeria na casa de amigos!

Com muita dedicação comprei os legumes, a carne (sopa chique, por que geralmente vai sem...), descasquei, cortei, piquei, esquartejei os leguminosos. Fiz tudo isso pensando no risoto ou no filé que comeria, acompanhado por uma ou duas taças de vinho, em plena quarta-feira, só com adultos. Acho que cantei de felicidade enquanto preparava a sopa...

Após buscar os meninos na escola, abro o armário para escolher uma roupa, como se eu tivesse muitas opções. Odeio saltos, roupas apertadas, maquiagem e brincos. Os saltos, porque só gosto dos mais caros; roupas apertadas porque evidenciam meus 2 kg a mais; maquiagem, porque tenho preguiça em tirar quando chego e acordo parecendo o coringa; brincos, sou alérgica. Enfim, devo gostar de tudo isso, mas o destino deu-me desculpas para odiá-los...

Mas, para uma mãe de 3, sozinha, um evento no meio da semana merece sacrifícios e uma certa elegância. Escolhi um vestido confortável, uma bota sem salto, e resolvi que encararia uma orelha em carne viva e o coringa no espelho no outro dia.

A criançada em êxtase gritava! A mamãe vai sair! O que significa que, se sentirá culpada pelo prazer que terá em plena quarta-feira e dirá para a babá que eles podem jogar vídeo game até meia noite. Sim, como quase sempre, eles têm razão.

Vou para o banho. Rápido. Nada de depilação, afinal será um jantar familiar, entre amigos, sem nenhuma possibilidade de romance. Calcinha grande escolhida.

O telefone toca. Tropeço entre a bota e o (único) sapato de salto, que resolvi experimentar na última hora. Procuro o celular. Está embaixo do sutiã rendando, afinal, vai que... Gelei. O número da babá aparece no visor. Atrasada, penso. Atendo e simplesmente fico muda. Ela não vem. Sento na cama e choro. Em meio ao caos penso: Ainda bem que você não fez a unha (também sou alérgica...).

Os meninos, que lógico ouviram a minha não conversa com a babá, começam a inquisição de porquês e o caçula chora. Quer a babá... Eu também!!!!

Aos pouco vou me conformando. Tiro uma das botas que já tinha calçado, arranco a meia calça (alguém consegue tirar isso sem ser arrancando???) junto com a animação e o prazer de amigos em plena quarta-feira.

Ligo para o casal. Explico. Ligo para minha amiga. Explico. Acalmo a criançada. Libero o vídeo game.

Conformada, mas em espírito de rebeldia, penso em abrir a garrafa de vinho que ia levar e tomá-la inteira acompanhada da.... SOOOOPAAAAAAA...

Os meninos perguntam pelo jantar. Eu rapidamente digo que queimou e peço uma pizza.
Um dia como esse só podia dar em sopa, mas pelo menos, terminou em pizza!


PS: A sopa? Congelei e uso na semana que vem, quando tiver algum outro jantar!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mudando o foco!

Por muitos dias, semanas, anos e por que não dizer, uma vida, lutamos contra os nossos defeitos, demônios, lado sombrio, pecado (dê o nome que quiser).

Normalmente o resultado é: dias, semanas, anos e talvez uma vida cheia de frustração...

Tem coisa que parece que não conseguimos mudar. Mesmo com fé, dedicação, perseverança, boa vontade, jejum, oração, passe, pensamento positivo (chame do que quiser).

Como uma dieta. Começamos, sentimos o resultado, mas voltamos a atacar os doces das nossas vidas. E muitas vezes passamos a vida toda em dieta e continuamos gordinhos!

Certa vez, num curso, ouvi que para combatermos nossos defeitos, demônios, lado sombrio, pecado (dê o nome que quiser), devemos é investir nas nossas virtudes. Fez muito sentido pra mim.

Não adianta eu cortar todo o chocolate da minha dieta. Vou acabar abrindo uma lata de leite condensado, misturar com Nescau e comer as 3 da manhã. (isso é só um exemplo, NUNCA fiz isso...)

Mas amo fazer esportes. Então, porque não investir meu esforço numa aula legal de basquete, vôlei ou natação?

Aplique isso a qualquer área da sua vida. Faz sentido pra mim...

E não estou aqui fazendo uma apologia a lei do mínimo esforço. Desenvolver e ou aplicar suas virtudes é igualmente penoso e cansativo.

Mas acho que muda o foco e o nosso lado "negro" é ofuscado pela nossa virtude. Vai continuar ali, as vezes vai dominar, assustar, só pra nos lembrar que existe.

Mas, talvez, o resultado seja: dias, semanas, anos e talvez uma vida com mais leveza...

Faz sentido pra mim!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Garota

Ah, garota por onde você anda?
Menina que tinha vida nos olhos
Coragem no coração
E mil idéias na cabeça

Apesar do medo, enfrentava
Palcos de festivais
Quadras de hand e vôlei
Microfones de discursos

Menina que nada escondia sua beleza
Mesmo num corpo ainda sem forma
Uma ingenuidade de Lolita
Nem mesmo o uniforme marrom camuflava

Menina que falava sem se importar se agradava
Pros outros
Dos outros
E muito com os outros

Uma vontade em experimentar o novo
O primeiro cigarro
O primeiro beijo
A primeira aula matada

O delicioso prazer de ser aceita
Mesmo não sendo a mais bela
A mais inteligente
Sendo apenas ela

Quando olho no espelho
Ainda te vejo
Mas cada dia mais
Fica mais sombra que figura

Quero te resgatar
Não seu corpo
Nem sua ingenuidade
Nem mesmo sua juventude

Quero trazer a memória mais do que reflexo
Sua coragem com meus medos
Sua vontade com minha paralisia
Sua beleza com minhas rugas

Quero juntar o que fui com o tempo
E aos poucos num eterno preparo
Escrever o mais lindo poema da minha vida
O meu futuro