domingo, 4 de novembro de 2012

Querido Gabriel


Hoje você me deu um grande presente, mesmo sendo o seu aniversário.
No cinema, entre choro e abraço, você me ensinou a não ter medo do que sinto, nem pra mim, nem para os outros. Você me ensinou que ser diferente, nadar contra a maré, ser mais sozinho, é simplesmente mais um jeito entre tantos.
Na vida, nesses 11 anos, você me ensinou a ser doce, a me respeitar, a me emocionar, a me permitir chorar numa animação de Tim Burton. Mesmo que a gente seja o único a fazer isso!
Sei que a vida as vezes é dura, machuca. Nesses anos, com você também aprendi que a dor faz parte da vida, e que tem horas que nada podemos fazer.
Sabe, não tenho vontade de te colocar no colo e ninar pra sempre. Minha vontade é de jogá-lo para o mundo porque sei que o mundo tem muito a ganhar com você! E você? Vai tirar a vida de letra!!!
Mas, quando quiser um colinho, um cookie, um hambúrguer caseiro, ou assistir uma animação do Tim Burton, estarei aqui, mais surda, mais velhinha, mas com todo amor do mundo para você!

Obrigada por me escolher, todos os dias, para ser sua mãe e não apenas alguém que te trouxe ao mundo!

Amo você, e vamos comemorar muito no GP do Brasil!!!

Cassia

Mais ou menos


Acho que é assim,
Quanto mais se vive, menos se acerta
Quanto mais se procura, menos se acha
Quanto mais se quer, menos se tem
Quanto mais te amo, menos te tenho
Quanto mais, menos
Quanto menos, mais...

Maturidade


É saber que o tempo não volta
Mas que você tem tempo para fazer diferente

É saber que os erros machucam
Mas que o perdão (principalmente consigo) é um ótimo começo na cura

É saber que as pessoas se afastam
Mas que continuam te amando

É saber que não se pode ter sempre o que se quer
Mas que você pode ir atrás e tentar conquistar

É saber que não tem idade para amadurecer
Mas é chegar aos 37 e saber que é possível!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Rafael

Menino dos olhos espertos, pés que dançam, boca que encanta
Abraço de sucuri, beijo melado, risada cantada

Tem o dom das histórias, dos sonhos, da magia
O mundo é pequeno para você, a lua é seu quintal

Não admite um não, ferroa mais que abelha
Mas é ela que também dá o doce mel

Tombos, ralados e machucados?
Zomba de cada um deles e simplesmente continua

Onde suas lágrimas caem, nasce vida
Onde sua alegria voa, nasce algodão doce

Sei que na vida serei sua assistente
Você sempre será a estrela, o mágico, a atração principal

E eu, a cada apresentação, aplaudirei
Em pé, pedindo bis!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tentativa e erro

Gosto de quem errou, muito. Acredito que quem mais errou tem menos chance de fazer de novo. Pura suposição. Desconfio das linhas retas. Odeio usar réguas e rédeas. Gosto da liberdade. Mas não pode ser regra, vira lei. Adoro o natural. Tenho muita alergia a químicos e máscaras. Até a da alma. Simplicidade. Uma tábua mais quatro pés, é uma mesa. Coloque pão e vinho, é ceia. Pessoas, é festa. Uma vela, é romance. Sigo as entrelinhas e pausas do compasso. Pego atalhos menos óbvios. Me perco. Muito. Sempre chego em segundo, quando chego. Coleciona mais medalhas de participação do que melhor colocação. Ainda acredito que rir é bom. Fazer os outros rirem é quase uma missão. Gosto do branco do som, do silêncio do papel. São os princípios da inspiração. Os meus melhores presentes tem forma de poesia. Os melhores presentes que recebi vieram em música. O sofrimento é meu amante. Vem quando pode, me agarra com força e vai pela porta me deixando completa e complexa. Confio que a vida se dá ao lado de poucos. Mas bons. Poucos e bons amigos. Muitas vezes na simplicidade daquela mesa. Nos afetos e afagos de uma cama. Nas mãos cheias de marcas que se encontram num cinema. Nos pés que se entrelaçam e dizem bom dia. Erro. Vive-se com ele. Segue-se, apesar dele. Na eterna tentativa e erro. Vida. Não busco equilíbrio. Uma linha muito simétrica. Busco meu jeito, minha logomarca, meu espelho. A morte me faz viver mais perto da vida. Sempre. Eu? Vou errando, vou amando, rindo, escrevendo, me perdendo, vivendo e morrendo. Não necessariamente nessa ordem.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

De graça, com graça!

Gosto de rituais. Marcas na pele, cicatrizes na alma que gritam significados.
Não gosto de celebrações banais. Simplesmente porque existem.

Mas ao longo da vida esses ritos mudam de endereço, de significado, somem e reaparecem. Vou aprendendo com eles, vou acariciando as marcar e recriando significados.

Adoro celebrar meu aniversário. Gosto de um ritual que faço todos os anos, perto do meu aniversário, que é relembrar as pessoas que foram importantes no último ano. E a cada ano, tem novos personagens, novos significados, novas marcas. E, sim, tem gente que se mantém, há anos.

O último ano foi marcado pela readaptação. Em 2011 voltei para São Paulo, para perto dos meus pais, faculdade nova, emprego novo, dia a dia sozinha com 3 crianças.
Houve muita briga interna, entre o querer e o dever, entre o meu lado adulto e o criança, entre o velho e o novo.

E com isso, novas marcas! Mas houve muita graça! Graça de rir mesmo. Muito! Graça, de receber sem mérito. Simplesmente por ser eu!

No meu aniversário de 2011, tive a grande alegria em fazer um jantar para as pessoas que passaram comigo um dos piores anos da minha vida. Alegria? Sim! Pessoas que não tiveram medo de enfrentar o incerto, as dores, a falta de cor. Deixaram marcas eternas.

Nesse ano não poderei fazer um jantar, mas escolhi homenagear as pessoas que me trouxeram alegria no último ano, que literalmente me deram ar para respirar. Amigos, colegas da vida ou simples conhecidos que me deram prazer em viver. Desde simples coisas até as mais complexas. Ou o contrário, porque prazer e alegria não se medem.

Amigos que deram coisas materiais: fui a shows, a lugares bacanas, curti coisas VIP, viagens, presentes inusitados.
Pessoas que deram afeto: carinho no choro, cafuné, tempo, bronca, abraço no silêncio, mãos dadas.
Reencontros que trouxeram lembranças: do que já fui, do que ainda sou e do que ainda posso sonhar ser.
Companheiros espirituais: que me ajudaram a me ver com os olhos do Pai, a ser verdadeira e perder o medo em ser eu mesma.

De graça, com graça!

Aqui fica o registro, a marca, meu reconhecimento por todos vocês.

E que comecem as celebrações por mais um ano em que tive o privilégio em ter relacionamentos que deixam marcas, que me tornam cada vez mais humana e verdadeira!

Com amor, gratidão e carinho

Cassia

domingo, 1 de abril de 2012

Só podia dar em sopa...

Sopa é aquele prato que é quente, mas você precisa esfriá-lo para comer. É aquela comida que sua mãe faz quando está sem dinheiro ou com preguiça. Ou ambos. Você tem que comer sopa porque está de regime, doente ou só assim come todos aqueles legumes que, separados, todos tem gosto de nabo. O dia da sopa, por mera coincidência, é o dia da limpeza da geladeira, e sua empregada precisa colocar todos os restos de comida em algum lugar. Adivinha onde?

Enfim, sou mãe e uso todos esses truques pra enfiar uma sopa goela abaixo da molecada, o que fiz na noite de ontem, que por sinal tinha mais uma fator: eu comeria na casa de amigos!

Com muita dedicação comprei os legumes, a carne (sopa chique, por que geralmente vai sem...), descasquei, cortei, piquei, esquartejei os leguminosos. Fiz tudo isso pensando no risoto ou no filé que comeria, acompanhado por uma ou duas taças de vinho, em plena quarta-feira, só com adultos. Acho que cantei de felicidade enquanto preparava a sopa...

Após buscar os meninos na escola, abro o armário para escolher uma roupa, como se eu tivesse muitas opções. Odeio saltos, roupas apertadas, maquiagem e brincos. Os saltos, porque só gosto dos mais caros; roupas apertadas porque evidenciam meus 2 kg a mais; maquiagem, porque tenho preguiça em tirar quando chego e acordo parecendo o coringa; brincos, sou alérgica. Enfim, devo gostar de tudo isso, mas o destino deu-me desculpas para odiá-los...

Mas, para uma mãe de 3, sozinha, um evento no meio da semana merece sacrifícios e uma certa elegância. Escolhi um vestido confortável, uma bota sem salto, e resolvi que encararia uma orelha em carne viva e o coringa no espelho no outro dia.

A criançada em êxtase gritava! A mamãe vai sair! O que significa que, se sentirá culpada pelo prazer que terá em plena quarta-feira e dirá para a babá que eles podem jogar vídeo game até meia noite. Sim, como quase sempre, eles têm razão.

Vou para o banho. Rápido. Nada de depilação, afinal será um jantar familiar, entre amigos, sem nenhuma possibilidade de romance. Calcinha grande escolhida.

O telefone toca. Tropeço entre a bota e o (único) sapato de salto, que resolvi experimentar na última hora. Procuro o celular. Está embaixo do sutiã rendando, afinal, vai que... Gelei. O número da babá aparece no visor. Atrasada, penso. Atendo e simplesmente fico muda. Ela não vem. Sento na cama e choro. Em meio ao caos penso: Ainda bem que você não fez a unha (também sou alérgica...).

Os meninos, que lógico ouviram a minha não conversa com a babá, começam a inquisição de porquês e o caçula chora. Quer a babá... Eu também!!!!

Aos pouco vou me conformando. Tiro uma das botas que já tinha calçado, arranco a meia calça (alguém consegue tirar isso sem ser arrancando???) junto com a animação e o prazer de amigos em plena quarta-feira.

Ligo para o casal. Explico. Ligo para minha amiga. Explico. Acalmo a criançada. Libero o vídeo game.

Conformada, mas em espírito de rebeldia, penso em abrir a garrafa de vinho que ia levar e tomá-la inteira acompanhada da.... SOOOOPAAAAAAA...

Os meninos perguntam pelo jantar. Eu rapidamente digo que queimou e peço uma pizza.
Um dia como esse só podia dar em sopa, mas pelo menos, terminou em pizza!


PS: A sopa? Congelei e uso na semana que vem, quando tiver algum outro jantar!